sábado, 21 de junho de 2008

Mudanças na Língua Portuguesa


Mudanças na Língua Portuguesa Acordo entre países que falam português pode mudar muita coisa nas normas que regem a escrita no Brasil.
Fernanda Leonel Repórter 09/05/2007

Que atire o primeiro dicionário quem nunca recorreu a uma gramática para não fazer feio na hora de passar para cartas, e-mails ou qualquer outra forma de comunicação escrita aquilo que já estava na caixola. Na hora de enfrentar o papel e a caneta, o bom português nem sempre sai fácil.
Fácil mesmo pode ser achar quem reclame da "dificuldade" da língua ou tenha sempre uma pergunta para fazer. Mas a tarefa não é mesmo das mais simples: segundo dados da Academia Brasileira de Letras, nossa língua possui nada mais, nada menos de 360 mil palavras.
O fato é que, complicadas ou não, as normas que regem a escrita no Brasil têm futuro incerto. Caso fique acertado o acordo ortográfico em discussão entre países que falam o português, muitas mudanças na maneira de escrever podem vir por aí.
A intenção com a mudança é tentar aproximar o português escrito no Brasil, em Portugal e em mais seis países - Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Timor Leste e São Tomé e Príncipe - unificando com isso a língua e dando mais força a ela. No futuro, um único dicionário poderia ser utilizado.
Caso o acordo seja aprovado, o trema, por exemplo, pode ser extinto. Adeus lingüiça, conseqüência ou tranqüilo com esse acento pouco usado entre a maioria dos brasileiros. As vogais duplas acentuadas com acento circunflexo também devem perder a acentuação. Palavras como vôo, enjôo e abençôo, por exemplo, perdem o famoso chapeuzinho.
Mas se engana quem pensa que só de "perdas" mudam as novas regras do português. Conforme explicou o professor do Colégio Academia e também do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF), Pedro Gonçalves Pinto, é possível que passemos a escrever com consoantes mudas, já que para definir as mudanças, vale a "regra do mais usado" entre os países que falam português.
Dessa forma, palavras que perderam letras ao longo da história, como "acto", retornariam a ser escritas assim. "Optimo" e "acção", por exemplo, voltariam a fazer parte do nosso dicionário como grafia correta mais uma vez.
Embora não seja favorável à questão das consoantes mudas, o professor Pedro Gonçalves analisa as possíveis mudanças como positivas. Para ele, as mudanças em geral são subordinadas a espaços culturais. "A língua é viva e não é possível não tentar imaginar que daqui há algum tempo poderemos estar rediscutindo tudo isso que vai ser criado agora novamente", analisa.
Segundo Pedro é preciso despertar para essa necessidade de ver a língua como uma maneira de manter o padrão cultural, econômico ou social, forte. Isso porque, para o professor, quanto mais fraca estiver uma língua dentro de cenário cultural, mais fácil fica essa "inculturação".
"Quanto mais unificada, mais forte é uma língua. Se pegarmos a história, poderemos perceber que as grandes nações se projetam pela língua. Foi assim em 1789 depois da revolução com a França, no século XIX, pós revolução industrial com a Inglaterra, e está sendo assim agora com os Estados Unidos no pós-guerra", diz
O professor acredita que o mundo globalizado, as novas tecnologias e a dissociação das barreiras geográficas têm contribuído e muito para essa transformação lingüística. Na sala de aula diariamente com jovens e adolescentes, ele comenta que não é raro perceber como eles dominam outras "linguagens" como o internetês, por exemplo, e têm diversas dúvidas quanto à escrita do português.

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