31/07/2009

Dia da família


“Acredito que a diversão seja um dos elementos mais importantes para a criação de uma criança emocionalmente saudável, pois é coerente com a natureza do cérebro em constante busca de estímulos”.

Paul Holinger, no livro O que os bebês dizem antes de começar a falar

Brincar...

A palavra brincar faz lembrar imagens de diversão, gargalhadas e partilha.
Por muitos anos acreditou-se que brincar era um passatempo sem nenhum objetivo. Hoje se sabe que através das brincadeiras a criança passa por uma experiência fictícia e reproduz situações reais, ampliando sua capacidade de imaginar, pensar, falar e agir.
Todas as crianças brincam. Brincar é a “arte de fazer sonhar”, tornando-se num meio privilegiado para a criança se desenvolver totalmente, abrangendo os seus vários domínios de desenvolvimento (afetivo cognitivo e emocional).
As crianças desde o momento em que nascem, precisam da atenção dos mais velhos (pais, irmãos, avós, amigos, educadores) para poderem viver bem e se desenvolver. Os bebês que recebem atenção de que necessitam, geralmente são alegres e ativos, o que aumenta suas chances de conquistar o mundo em que crescem.
Há alguns anos o grupo de trabalho da Creche Jardim Santa Cruz, vem transformando sucata em brinquedos e realizando muitas brincadeiras com os bebês.
Com sucata é possível montar novos e criativos jogos e brinquedos, que se transformam em atrativos recursos pedagógicos e podem ser aplicados nas diferentes áreas de ensino-aprendizagem da criança.
É possível reaproveitar o que se joga fora e ajudar a preservar o meio ambiente, há um mês atrás enviamos um bilhete sobre a importância de brinquedos e brincadeiras e pedimos aos pais que utilizavam: retalhos de pano, lata de leite, lata de molho de tomate, bandeja de frios de isopor, copinho de iogurte, caixinha de sabonete, caixinha de creme dental, caixa de gelatina, caixas de ovos, caixas de sapato, caixa de fósforos, restos de lã, rolo de papel laminado ou filme plástico, tampas de garrafa PT, garrafa de água mineral ou refrigerante de 500 ml, que após o término não jogassem no lixo, que separassem e enviassem para Creche.
Recebemos várias contribuições, confeccionamos brinquedos e as crianças adoraram.
Com a comemoração do Dia da Família na Creche, pretende-se mostrar imagens dos momentos em que as crianças brincavam com brinquedos confeccionados pela educadora e a partir dele, criar um espaço de encontro entre pais ou membros da família (avós, irmãos mais velhos, entre outros) e bebês com idades compreendidas entre 4 e 30 meses de vida onde se promova a interação entre ambos através da confecção de brinquedos de sucata e o desenvolvimento de brincadeiras específicas para esta faixa etária. Os pais podem ainda explorar os brinquedos diversos presentes no espaço Creche e aprender as brincadeiras realizadas pelas Professoras Auxiliares de Educação Infantil que contribuem para o despertar sensorial do bebê.

Que aspectos serão partilhados?
Definição de brincar;
Características das brincadeiras;
A importância do brincar no desenvolvimento dos bebês;
O papel dos pais ou membros da família nas atividades lúdicas;
Confecção de brinquedos com sucatas;
Brincadeiras e brinquedos específicos para cada faixa etária.
Sensibilização: relembrando a infância;
Lanche oferecido também irá remeter a infância; pipoca, refrigerante e chororós.

Certamente após o Dia da Família na Creche, todos os participantes poderão fazer as brincadeiras com as crianças, além de poder inventar outras semelhantes.
Nossa intenção com a realização do projeto é mostrar como são importantes os pais brincarem com os filhos e como brincadeiras simples contribui para o desenvolvimento do pequeno. Queremos conscientizar também que mesmo o tempo sendo curto e o pouco dinheiro, não são obstáculos que impeçam estar com a criança, rir com ela, conversar com ela, que brincar e confeccionar brinquedos juntos são gostoso e faz bem para as crianças e igualmente para os pais.
Esperamos assim, além dos muros da instituição contribuir para o enriquecimento das relações entre adultos e bebês, capaz de criar o vínculo de afetividade, segurança tão necessário ao desenvolvimento das pessoas.
Grupo: B 1

Professoras: Elis Regina
Sandra Regina
Duração: 30 minutos

Conteúdo:
Confecção de móbiles, usando os moldes das mãos e pés dos bebês.

Objetivos:
Valorizar os vínculos afetivos entre pais (ou outro membro da família) com os filhos.
Desenvolver a percepção visual do bebê;
Exercitar os olhos e atenção da criança;


Metodologia:
Serão usadas garrafas pet cortadas em espiral. Em seguida tirar os moldes das mãos e pés dos bebês em EVA coloridos, que deverão ser colados no espiral.

Materiais utilizados:
Garrafa pet;
EVA colorido;
Cola quente;
Grupo: B 2

Professoras: Bernadete
Sandra Rozana
Duração: 30 minutos

Conteúdo:
Confecção de massa de modelar caseira.

Objetivos:
Experimentar as transformações dos materiais quando misturados, observar a cor e a textura;
Promover a interação entre pais e filhos;


Metodologia:
Preparação da massa será realizada sob orientação das professoras, a mistura dos ingredientes com a participação dos pais e ajuda da criança para misturar os ingredientes, na escolha da cor da massa, dar formas e uso da criatividade.

Materiais utilizados:
Farinha de trigo;
Óleo;
Anilina;
Sal;
Pote de plástico (sucata) para guardar a massa;
EVA colorido;
Cola quente;

Grupo: M 1

Professoras: Cecília
Renata


Duração: 30 minutos

Conteúdo:
Confecção de vai e vem de garrafa Pet.

Objetivos:
Interação entre pais, professores e crianças;
Estimular a criatividade dos pais;
Favorecer os vínculos afetivos;
Socialização da Comunidade Escolar;
Conscientizar os pais sobre a necessidade de dispor de um tempo para brincar com o filho;
Oferecer a criança uma atividade prazerosa com o pai, a união e diversão;

Metodologia:
O brinquedo será confeccionado pelos pais sob orientação das professoras. Serão usadas duas garrafas pet recortando a parte superior de cada uma. Juntaremos as partes onde estarão enfiando os pedaços de barbante onde as crianças vão segurar. Faremos argolas com jornal para acomodar as mãos e brinca-se abrindo e fechando os braços, fazendo com que a garrafa deslize.

Materiais utilizados:
Garrafa pet;
Barbante;
Jornal;
Fita adesiva;

28/06/2009

Centopéia dos números















13/06/2009

BONS TEMPOS EM QUE CHAMÁVAMOS AS PROFESSORAS DE “TIAS” ?!

Luca Rischbieter

Dizem que uma das maneiras de chamar a atenção dos outros é apresentar pontos de vista polêmicos, e é isso que estamos fazendo aqui ao propormos a discussão de uma idéia que pode parecer chocante para alguns, até mesmo para o próprio autor desse artigo.

1 - Não há nada de tão grave em as crianças chamarem suas professoras de “tias”.

Essa idéia, que pode arrepiar os cabelos de mais de um(a) pedagogo(a), justifica-se pela percepção de um problema muito maior:

2 - Infinitamente mais grave é o fato de crianças e adolescentes não desenvolverem nenhuma espécie de familiaridade com seus professores e professoras.

Essa é a questão que gostaríamos de discutir nesse artigo e que nos leva a uma posição polêmica, pois, afinal de contas, houve um verdadeiro combate contra o antigo hábito de dizer “tia”. Esse movimento tinha, e continua tendo, sua razão de ser: é uma luta contra uma visão excessivamente amadora da profissão de educadora.

Paulo Freire, em Professora Sim, Tia Não, expõe de forma clara as principais razões para as professoras deixarem de ser “tias”: essa visão de uma classe profissional como sendo constituída de parentes das crianças cria a expectativa de que não é preciso uma boa qualificação para fazer o trabalho de ensinar, além de uma visão política passiva e alienada, já que identificar professoras como tias “é quase como proclamar que ‘professoras’, como boas ‘tias’, não devem brigar, não devem rebelar-se, não devem fazer greve”.[1]

Essa idéia foi encampada por boa parte das escolas do país e, em muitas delas, criou-se o hábito de chamar as professoras pelo nome. Aliás, um hábito saudável que, em boas escolas, favorece a criação de relacionamentos pessoais de qualidade entre alunos(as) e professores(as), talvez até melhor do que o costume tradicional de sempre preceder os nomes por um “tia” ou “tio”.

Mas, conhecendo pessoalmente muitas escolas em que ainda existe o hábito de dizer “tia”, não acho que essa é uma diferença decisiva na determinação de qualidade do ensino. Se, em vez de Lúcia ou Maria, as crianças chamassem suas professoras de tia Lúcia ou tia Maria, esse detalhe não seria de forma alguma decisivo para definir diferenças entre duas escolas. Podemos ter boas escolas em que as crianças chamam as professoras de tias e péssimas escolas em que há o hábito de chamá-las pelo nome.

Mais grave seria a situação em que, com ou sem o “tia”, as crianças mal soubessem o nome dessas pessoas que se tornam tão importantes na vida delas.

E, pensando bem, não seria exatamente esse um dos grandes dramas da educação, especialmente da 5.ª série em diante?

O grande risco para a educação não é o de as escolas se tornarem, como as famílias, povoadas de tias, mas que aconteça o oposto: que elas sejam lugares onde as crianças mal conheçam os adultos, não tenham familiaridade com eles e não se sintam “em casa”.

Para o educador francês Raymond Fonvieille, discípulo dissidente de Freinet, a principal causa da violência e do fracasso escolar é a falta de relacionamento informal entre professores e alunos nas grandes escolas, onde há professores de mais e relacionamentos pessoais de menos:
“É nessa dispersão que engendra a irresponsabilidade, o anonimato e a indiferença, que reside o fracasso do colégio atual. Um garoto de dez ou onze anos, bem como os alunos em situação de fracasso escolar que eu atendia, antes de ter necessidade de conhecer a anatomia da rã, tem necessidade de segurança”.[2]

Aí está uma idéia simples e sensata: crianças e adolescentes que se sentem seguros vão se concentrar, pensar e aprender melhor. A insegurança e a ansiedade são as grandes inimigas da inteligência, da curiosidade, da atividade organizada e da aprendizagem. Qualquer professora de Educação Infantil sabe disso, e é por isso que existe nesse nível de ensino uma grande preocupação com a adaptação de cada criança, um processo complexo para fazer com que cada uma se sinta “em casa” — um tipo novo e diferente de lar.

Deborah Meiers, educadora e diretora de uma rede de pequenas escolas que vem alcançando resultados educativos excelentes em um bairro carente de Nova Iorque, acredita que esse caráter “familiar” da Educação Infantil não deve jamais ser esquecido e que, até mesmo ao concebermos o trabalho com adolescentes, é necessário “manter vivas as idéias e o espírito da boa educação infantil”.[3]

Mas o que caracteriza o espírito da Educação Infantil? Para ela, os princípios mais importantes são a proximidade entre adultos e crianças, a abertura de espaço para o desenvolvimento de laços entre as crianças e o uso intenso da imaginação criativa e do jogo. Meiers diz que, ao pensarmos na educação de adolescentes, os mesmos princípios deveriam ser aplicados, e é isso que ela fez em suas escolas no Harlem, Nova Iorque.

Para os dois educadores citados nos parágrafos acima, fenômenos como a criação de gangues de adolescentes estão se acentuando, pois não estamos oferecendo aos jovens a possibilidade de contatos ricos com adultos que possam servir como modelos e parceiros de diálogo nos ambientes onde há espaço para a expressão criativa e a formação de laços de amizade saudáveis.

A posição de Deborah Meiers é clara: embasada em sua experiência, ela acredita que, ao contrário do que se possa pensar, os adolescentes não tendem “naturalmente” a se isolar em grupos fechados e agressivos. Ao falar sobre as virtudes das escolas pequenas em que todos se conhecem, ela afirma:

“As evidências sugerem que a maioria dos jovens possui uma fome tão profunda pelas relações que essas escolas oferecem a eles — entre crianças e entre adultos e crianças — que eles escolhem a escola em vez das culturas alternativas na Net, na televisão e nas ruas. (...) Percebemos que a fome por conexões com os adultos é forte o suficiente para fazer uma diferença se dermos a ela uma chance”.[4]

Portanto, fenômenos como gangues somente acontecem quando não conseguimos inserir os adolescentes em uma rede de relações ricas em que adultos participam.

A solução para Meiers é clara e passa pela criação de escolas pequenas. Aliás, ao assumir a direção de uma enorme escola pública americana, seu primeiro passo foi dividi-la em várias escolas pequenas, pois “o que as grandes escolas fazem é recordar à maioria de nós que não temos muita importância”.[5]

É claro que ela está falando de enormes escolas públicas em regiões carentes e que muitas grandes escolas, por todo o planeta, são capazes de conciliar o tamanho com a criação de ambientes em que crianças e adolescentes se sintam “em casa”. Mas seu alerta é válido para todos nós em qualquer tipo de escola: um dos maiores riscos que a educação de massa corre é o de criar escolas em que há isolamento quase total entre crianças e adolescentes de um lado e adultos de outro. Nessas escolas, a falta de relacionamento empobrece todo o ambiente e acaba afetando até a aprendizagem.

Para concluir, eu ousaria afirmar que, em escolas onde as crianças e adolescentes se sentem “em casa”, os resultados educativos serão excelentes, independentemente dos métodos pedagógicos e, nesses casos, tanto faz se os(as) alunos(as) chamarem ou não as professoras de “tia”. Eu prefiro quando não chamam, se bem que, até hoje, eu chamo a maior e mais completa educadora que conheci de “tia” Vera[6]...
[1] FREIRE, Paulo. Professora sim, tia não. São Paulo: Olho D’Água, 4 ed. 1994. p. 12.
[2] Traduzido de: FONVIEILLE, Raymond. Face à la violence: participation et creativité. Paris: PUF. 1999. p. 11.
[3] Traduzido de: MEIERS, Deborah. The power of their ideas. Boston: Beacon Press. 1995. p. 30.
[4] Traduzido de: MEIERS, Deborah. Will standards save public education?. Boston: Beacon Press. 2000. p. 23.
[5] MEIERS, Deborah. The power of their ideas. p. 30.
[6] Esse artigo é dedicado à “tia” Vera Miraglia, na passagem dos 40 anos do Colégio Anjo da Guarda, em Curitiba.

20/05/2009

Festa Junina






As longas colheres


Uma vez, num reino não muito distante daqui, havia um rei que era famoso, tanto por sua majestade, como por sua fantasia meio excêntrica.
Um dia mandou anunciar por toda parte que daria a maior e mais bela festa de seu reino. Toda a corte e todos os amigos do reino que foram convidados vieram vestidos nos mais ricos trajes. O palácio resplandecia com todas as suas luzes.
As apresentações transcorreram segundo o protocolo e os espetáculos começaram: dançarinos de todos os países, jogos e divertimentos diversos. Tudo, até o mínimo detalhe, era só esplendor. Todos os convidados admiravam fascinados e proclamavam a magnificência do rei.
Entretanto, apesar da primorosa organização da festa, começaram a perceber que a “arte da mesa” não estava representada em parte alguma.
Não se podia encontrar nada para acalmar a fome que todos sentiam mais duramente à medida que as horas passavam. Essa falta logo se tornou incontrolável. Jamais naquele palácio nem em todo o país havia acontecido algo parecido.
A festa não parava de esforçar-se para atingir o auge, oferecendo ao público uma profusão de músicos maravilhosos e excelentes dançarinos.
Pouco a pouco o mal-estar dos espectadores se transformou numa surda, mas visível, contrariedade. Ninguém, no entanto, ousava elevar a voz diante de um rei tão notável.
Os cantos continuaram por horas e horas. Depois foram distribuídos presentes, mas nenhum deles era comestível. Finalmente, quando a situação se tornou insustentável e a fome intolerável, o rei convidou seus hóspedes a passarem para uma sala especial, onde uma refeição as aguardava.
Ninguém se fez esperar. Todos, como um conjunto harmonioso, correram em direção ao delicioso aroma de uma sopa que estava num enorme caldeirão no centro da mesa.Houve tentativas, mas só se ouviam expressões de dor e decepção. Os convidados quiserem servir-se, mas grande foi sua surpresa ao descobrirem, no caldeirão, enormes colheres de metal, com mais de um metro de comprimento e nenhum prato, nenhuma tigela, nenhuma colher de formato convencional.
Os cabos desmesurados não permitiam que o braço levasse à boca a beberagem suculenta, porque não se podiam segurar as escaldantes colheres a não ser por uma pequena haste de madeira em suas extremidades. Desesperados, todos tentavam comer, sem resultado.
Até que um dos convidados, mais esperto ou mais esfaimado, encontrou a solução: sempre segurando a colher pela haste situada em sua extremidade, levou-a à boca de seu vizinho, que pôde comer à vontade.
Todos passaram a imitá-lo e se saciaram, compreendendo, enfim, que a única forma de alimentar-se naquele palácio magnífico era um servindo ao outro.
Autoria Desconhecida